domingo, 17 de fevereiro de 2013

Beijando...


Beijo, como é bom beijar.
Mais que o beijo o bom mesmo é contactar.
Beijo de chegada, beijo de saída
Beijo de Amor, Ódio, de Despedida.
Beijo no recém-nascido, dos recém-casados
Nos recém-falecidos.
Beijo de carinho carregado de emoção,
Beijo de alívio numa enchente de monção.
Beijo pueril, tímido como oração.
Beijo desinibido de adolescente paixão.
Seja na praça, na escola ou na escuridão.
Beijo curto, longo ou só selim.
Beijo de Adeus, ósculo a Deus,
Beijo nas mãos, no rosto, nos lábios,
Beijo na terra, ou numa carta de Amor selada,
Beijo na mãe, ou na mulher amada,
Beijo de Beija-flor na flor do beijo
Beijo desejado no objeto de desejo.
Beijo de Romeu em Julieta, é sublimação.
Beijo de Judas em Jesus, é traição.
Beijo é sempre Beijo no seu modo de expressar,
Mas cada novo beijo algo novo significar.

Mais Amar


Se coração servisse pra outro fim
que não fosse encher o peito de dor.
Se a paixão tivesse reta intenção
que não fosse fazer sofrer por amor.

Se gostar de quem se ama servisse
pra alimentar, do mais amar, sua chama.
Se devotado a esse fim servisse pra evitar
lágrimas derramadas no escuro, na cama.

Se mesmo, que plenamente isento de outro amar,
desejar a quem se ama prestasse pra trazer
alívio ou sossego ao coração desejante,
que mesmo sabendo impossível ou improvável tal amante.

Se as flores de todos jardins contadas e cantadas em poesia
abrissem numa só manhã, a mais bela que haveria,
E colorir em tons vários de variadas cores a vida,
Aí sim mais amar valeria pena, valeria o empenho.

Por enquanto mais amar é dor, como o cristo doeu no lenho.
Mais amar é necessário, mais amar é um desalento.
Nada que conforte ou conforme o coração sedento.
Apenas servidão a amada de quem aguarda sustento.

Desiderata em Sol Maior


Nunca se esqueça que sempre haverá alguém menos inteligente e menos sábio que você. É a ele que você deve inspirar com carinho e dedicação para que ele possa desenvolver suas capacidades e crescer.

Igualmente, não se esqueça que sempre haverá alguém mais inteligente e mais sábio que você. É essa pessoa que deve se espelhar para aprimorar a sua vivência e o resultado de suas ações.

E acima de tudo você deve ser inteligente o suficiente para ter atitudes completamente surpreendentes, para que tanto os menos cultos, quanto os mais sábios possam mutuamente sentirem-se inspirados pela sua ação.

Teor de Morena


Canto o teor de tua forma
E as formas de tua emoção
Falo do encanto que és
Não posso nutrir falsa ilusão.

Antes de ser donzela, princesa
Forte ou baronesa.
És mulher de porte, e de beleza
E que porte! E que beleza!

Do teor se abstraí o teorema
Beleza se extraí dessa pequena
E quão pequena talvez fosse,
Não fosse o fato de ser Morena.

Pequenos teus lábios serenos
Tenros teus seios morenos.
Donde se extraí o colostro,
Que em vez de fel, bebemos.

Inebriante, o leite, talvez fosse,
Não tornasse de tão pia fonte.
Bate o coração de tal pequena,
Não só por amor ou por ser morena.

Bate por ser mulher antes de princesa,
Por ser fêmea antes da outorga: Baronesa.
Bate por haver de bater frequente.
Lembrando beijos e carícias na noite quente.

Dama de Ouro

Queria no espaço que existe
Entre um braço e outro meu
Estivesse a Dama mais bela,
A Dama de Ouro! Bela em apogeu.

Quero-a não só fechada em copas, mas ativa
lasciva, subversiva e efervescente.
Quero-a não só para um beijo lancinante,
Mas carente, caliente e envolvente.

Dama de cabelos dourados e tão clara tez,
que só mais clara a noite prata de luar.
Revela-me segredos do casulo onde dormes,
Revela-me um lugar ao seu lado, não me tolhes.

Vivamos com intensidade “ais” nos teus lençóis
o frisson de um dia, ao menos, só pra nós.
Mesmo que seja, de agora em diante,
viver suportando marcas de saudade algoz.


Amarildo Serafim – 19/07/2011

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Eu quero uma luz...


Eu quero uma luz que guie pra fora,
ainda que parca e tímida, mas que seja agora.
Eu quero uma luz, no escuro de noite sem fim.
Luz que ilumina os caminhos e as feridas em mim.

Preferiria que fosse a luz de um ou dois sóis.
Pra acabar com a noite eterna que paira sobre nós.
Eu quero luz, luz simples que puder eu ter ou merecer,
Luz sobre as sombras e as penumbras feito lençóis.

Eu quero que me acendam uma luz das fracas ou qualquer,
Luz que leve à porta e aclare a rota torta, quais curvas de mulher.
Luz pelas trilhas vagas, de vaga-lume que seja, é meu ensejo,
Que quebre a densidade sufocante desta ausência de luz qualquer.

Ah como eu quero que da luz que me desses fosse a de maior brilho,
Mas quão necessitado, envolto em trevas, da luz me venha um raio só.
Para tocar minha pele esbranquiçada, desacostumada de solar efeito,
Perfeito! Isso quero: uma luz entre bem desse jeito.
Ou quero uma porta para findar a dor do leito? 

Amarildo Serafim - 01/02/2013

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Lamento das Pedras

Que Lembranças eram estas
ali nas pedras tão dormentes?
Que dizeres, que pensares 
repousam ali eternamente?


Que atos de fatos eram
para um olhar tão reticente?
Olhar de quem busca afagos 
por existir tão decadente.


Apesar da pedra nua nada há de aparente. 
Nada que dê notícia, dê resposta convincente.
Apesar das palavras sobrou um olhar tão tristemente.
Como que a busca de uma pista perdida ou latente.


Escorrida há tantos anos mais ainda assim aparente
Pelos entres de tantas pedras escorreu foi vida de gente, 
Que apesar de perdidas por tais tantos de entres 
ainda persistem em ser vida num ser tão semovente.


Foram-se indo meio às pressas ou 
escorrendo qual vela em procissão. 
Sobrou-se foi só, só no mundo tão demente, 
sem moedas e terras, só pedras, só sementes.


Pedras de muitas frestas; 
Frestas com muitos entres.
Contendo esperanças parcas,
Esperanças parcas de gente.


Amarildo Serafim (15/07/2012)